Resenha de Mais sombrio – Stephen King

Depois de lançar 4 romances nos últimos 3 anos, Stephen King retorna ao mundo dos contos com Mais sombrio. O mais recente livro do autor reúne 12 histórias com diferentes propostas, que vão do arrepio às lágrimas como só ele sabe fazer.

Dois fio da mãe talentosos é o responsável por abrir a antologia e mostra uma grande habilidade desse “fio da mãe talentoso” que é Stephen King: nos contar uma história que não fazemos ideia de onde vai dar, mas nos envolver de tal forma que só ficamos em paz quando chegamos ao fim. O estilo de narrativa do conto de abertura me fez lembrar de Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank, presente em Quatro estações.

O Quinto Passo e Willie, esquisitão são histórias bem curtas e que foram divertidas de ler, principalmente porque contam com plot twists absurdos, do jeito que a gente gosta. Já O sonho ruim de Danny Coughlin é um daqueles contos longos que King adora escrever e nos envolve em uma trama de “gato e rato”, só que, de certa forma, invertida. Em alguns momentos, a narrativa me lembrou de Mr. Mercedes.

Finn foi outra história com final arrebatador, do tipo que pode ser interpretado de várias formas e nos faz criar diversas teorias. Na estrada da pousada Slide foi um conto que me agradou bastante, principalmente por trazer um elemento que King explora em histórias como A Hora do Lobisomem. Mas também foi uma leitura incômoda por retratar o tipo de situação que realmente poderia ser real.

Tela Vermelha e O especialista em turbulência não foram histórias ruins, mas confesso que foram totalmente esquecíveis, ideais para complementar uma antologia e nada mais. Laurie foi um conto frenético, que fez meu coração dar umas aceleradas, mas também não foi arrebatador – a capa faz referência a essa história e foi interessante entendê-la.

Cascavéis era o conto mais esperado de Mais sombrio, já que se trata da sequência de Cujo, livro lançado em 1981. A história se passa durante a pandemia, o que já traz uma identificação forte, uma vez que todos passamos pela mesma situação. Além disso, é sempre legal reencontrar personagens que já conhecemos, principalmente depois de tantos anos. A minha história favorita do livro, Cascavéis é, possivelmente, o conto mais assustador que já li do King. Mas é também bonito e triste, já que fala sobre o luto e mostra como essa é uma ferida que nunca cicatriza.

Por fim, temos Os sonhadores, que também não me tocou de forma especial, mas, pela temática, me lembrou de A Curva do Sonho, de Ursula K. Le Guin; e O Homem das Respostas, um conto belo e inquietante que, no estilo de Ascensão e A Vida de Chuck, de Com Sangue, aposta na fantasia sombria para retratar o impacto das escolhas que fazemos.

Mais sombrio não foi o meu livro favorito de contos do King – esse posto é de Quatro estações -, mas foi uma ótima leitura. Principalmente porque a história mais aguardada por mim entregou mais do que eu esperava!

Título original: I like it darker
Editora: Suma
Autor: Stephen King
Tradução: Regiane Winarski
Publicação original: 2024

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