Resenha de A Assombração da Casa da Colina – Shirley Jackson

A Casa da Colina é conhecida por ser um local mal assombrado, onde ninguém quer botar os pés – especialmente quando escurece. Mesmo assim, a solitária Eleanor Vance fica radiante quando Dr. Montague a convida para passar alguns dias na Casa, a fim de fazer um experimento. A sensitiva Theodora e Luke Sanderson, o herdeiro da mansão, também são convidados para a aventura, que logo passa a ameaçar a sanidade de todos os envolvidos.

De uma coisa eu tenho certeza: Shirley Jackson sabe exatamente como nos transportar para os cenários de suas histórias. Assim como em Sempre vivemos no castelo, A Assombração da Casa da Colina nos envolve com uma atmosfera inegavelmente sombria, porém extremamente sutil. E é exatamente essa sutileza que permite que a autora construa personagens dúbios, que nos manipulam durante toda a leitura.

Mas, apesar de adorar histórias construídas à base de detalhes que, muitas vezes, beiram o imperceptível, eu teria gostado mais se A Assombração da Casa da Colina tivesse mais acontecimentos – principalmente os sobrenaturais. Não me entendam mal, o livro tem boas “cenas de terror” (uma das melhores que já li, inclusive), mas no geral, deixa muito para a imaginação. E, confesso que, dessa vez, talvez eu quisesse mais respostas.

É interessante acompanhar a trajetória dos personagens durante a estadia na Casa da Colina, especialmente as interações entre Eleanor e Theodora. Contrastando com o restante da trama, o desfecho não tem nada de sutil: surpreendente, e até chocante, é daqueles que temos que ler e reler até realmente absorver! Apesar do título, o grande trunfo de A Assombração da Casa da Colina não é exatamente o sobrenatural. E sim, a forma como Shirley Jackson explora a insanidade, que não deixa de ser um tipo perigoso de assombração.

Título original: The Haunting of Hill House
Editora: Suma
Autor: Shirley Jackson
Ano: 1959
Páginas: 240
Avaliação: 3 estrelas

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