Como foi reler Quem é você, Alasca?

Quem é você, Alasca? foi o livro perfeito para o momento que eu vivia quando o li pela primeira vez, em 2013. Desde então, sentia a necessidade de reler a obra, mas sempre procrastinava por medo de descobrir que ela era apenas isso: o livro certo para um momento que ficou no passado. ⠀

Há 6 anos, a leitura do primeiro livro de John Green me levou a uma verdadeira epifania. Me ajudou a enxergar algo que parecia óbvio, mas que eu nunca havia visto: eu tinha muito o que perdoar, e precisava fazer isso para seguir em frente. Lembro que, quando terminei Quem é você, Alasca?, senti algo se encaixar dentro de mim. E entendi que a resposta para a pergunta que me atormentava já fazia um bom tempo era que nunca haveria resposta.

Não vou mentir: isso não me impediu de continuar procurando por ela. Já são 12 anos tentando montar um quebra-cabeça com peças que eu sei que foram perdidas para sempre. Mas aprendi que também é possível existir nos espaços vazios, sem ter a necessidade de preenchê-los.

Não faz muito tempo, eu venho encontrando formas de perdoar – a mim e aos outros. E reler Quem é você, Alasca? me fez enxergar o quanto é difícil. Porque perdoar nem sempre é compreender o que aconteceu e, portanto, ter algo a superar. É justamente o contrário: aceitar que, muitas vezes, os porquês se empilham de uma forma que não deixa sequer uma razão distinguível. 

E acredito que essa seja boa parte da nossa missão nesse labirinto atrás de labirinto, que chamamos de vida. Amar, perder, sofrer, tentar entender, triunfar e falhar. Porém, me tranquiliza saber que, se ontem eu era dor, hoje sou redenção. E eu sei que, até o fim, eu serei dor de novo, de novo e de novo. Mas também lembrarei que sou capaz de ser perdão. ⠀

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